Livestock Research for Rural Development 25 (7) 2013 Guide for preparation of papers LRRD Newsletter

Citation of this paper

Influência das técnicas reprodutivas e de acasalamento em programas de seleção de gado de corte e seu impacto no custo e na produção de tourinhos

R C Brumatti, J B S Ferraz*, J P Eler*

Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campus Universitário,
Campo Grande, MS, Brasil.
rbrumatti@gmail.com
* Departamento de Medicina Veterinária, Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, Universidade de São Paulo.

Resumo

A seleção e produção de touros para o mercado pecuário tornam-se foco de muitos estudos, e um grande desafio para o segmento em se tratando da constante busca de melhorias nos desempenhos produtivos dessa categoria animal. O trabalho teve por objetivo simular o que pode acontecer com o custo e a produção de reprodutores, em termos de quantidades produzidas, sob a influência dos métodos de acasalamentos e das biotécnicas reprodutivas disponíveis no mercado brasileiro. A hipótese em questão é se acasalar matrizes, classificadas por genótipo, suas produções serão melhores do que quando comparada à produção de matrizes classificadas por fenótipo. Foram simulados 42 cenários produtivos, divididos em 21 cenários com acasalamento genotípico e 21 com acasalamento fenotípico. Em cada divisão constam simulações com uso de monta natural, inseminação artificial padrão e com sêmen sexado para machos, transferência de embriões padrão e com sêmen sexado para machos, fecundação in vitro padrão e com sêmen sexado para machos, sendo que em todos os casos 3 níveis diferentes de taxas de concepção foram testados.

Os resultados apontaram que o sistema de acasalamento teve influência direta no custo e na produção de tourinhos, sendo que o acasalamento por genótipo foi mais eficiente do que o acasalamento por fenótipo. As taxas de concepção influenciaram negativamente mais os resultados dos sistemas de acasalamento fenotípico. O uso de sistemas de acasalamento fenotípicos atrelados a biotécnicas reprodutivas aumentam o custo de produção, produzindo uma maior quantidade de animais destinados para abate e uma menor quantidade de animais selecionados como reprodutores. 

Palavras-chave: melhoramento animal, modelagem, simulação de sistemas



Influence of mating and reproductive techniques in selection programs of beef cattle and its impact on the cost and production of young bulls

Abstract

The selection and production of bulls for the cattle market have both become the goal of many studies, as well as a great challenge for the segment, providing the constant search for performance improvement of that sort of animal. The study aimed to simulate what might happen to the cost of breeding and production, in terms of quantity, under influence of the mating methods and available reproduction biotechniques in the Brazilian market. The hypothesis consists in mating matrices, classed by their genotype, their produce will be better than when compared to the produce of phenotype-classed matrices. Forty-two productive-scenes, divided into 21 genotypic matings and 21 phenotypic matings were simulated. In each of the scene divisions there were following simulations: natural breeding, standard artificial insemination, artificial insemination with male-gendered semen, standard embryo transference, embryo transference with male-gendered semen, standard In-vitro fecundation and In-vitro fecundation with male-gendered semen, so that in all the cases, three different conception rates were tested. The results showed that the mating system had a direct influence on the cost and production of young bulls, and mating by genotype was more efficient than mating by phenotype. The conception rates negatively influenced phenotypic mating results, mainly. The use of mating systems linked to phenotypic reproductive biotechnologies increase the production cost of producing more animals destined for slaughter and a smaller amount of selected animals such as breeding animals. 

Key words: animal breeding, modeling, system simulation


Introdução

O mercado da pecuária de corte brasileira faz parte de um dos maiores segmentos produtivos do país, sendo responsável por uma parcela importante do bom desempenho das exportações nacionais.

Este mercado também é responsável pela geração de milhares de empregos diretos e indiretos em seus diversos segmentos, considerando desde empresas de insumos, instituições de pesquisas, os diversos segmentos da produção animal nas propriedades rurais, as indústrias de processamento, distribuição e comercialização da carne bovina para a população.

 

Especificamente ao se estruturar os diversos perfis de propriedades rurais, se observa que a bovinocultura de corte tende a se estratificar sob a forma de uma pirâmide no tocante a disseminação genética, ou seja, uma pequena parcela do topo desta estrutura gera a genética de ponta, que as propriedades multiplicadoras, inseridas logo abaixo na seqüência, utilizam para gerar os reprodutores utilizados pela grande maioria dos produtores de animais para o abate, inseridos na base.

 

Para tanto, o presente estudo tem por objetivo simular o que poderá acontecer com o custo e a produção de reprodutores sob a influência dos métodos de acasalamentos e das biotécnicas reprodutivas disponíveis no mercado brasileiro.


Material e Métodos

O trabalho foi realizado com o suporte computacional de um microcomputador Pentium IV de 2.26 GHz, com 512 MB de memória RAM. Toda a metodologia estudada foi desenvolvida em planilhas eletrônicas do software MS Excel 2002®.

 

Os dados de produção e de avaliação genética das matrizes bovinas e dos touros utilizados nas simulações de monta natural e repasse de inseminação artificial, foram obtidos no banco de dados da Agro-pecuária CFM.

 

Os dados de avaliação genética dos touros utilizados nas simulações de inseminação artificial, produção de embriões pela técnica de superovulação e transferência de embriões (TE) e na técnica de produção de embriões por aspiração folicular e fecundação in vitro (OPU / FIV), foram obtidos nos catálogos comerciais de centrais de comercialização de sêmen.

 

Utilizou-se para gerar os resultados, os valores genéticos, expressados em DEP (Diferença Esperada na Progênie) de matrizes e touros avaliados pelo programa de seleção genética da Agro-pecuária CFM. As características genéticas escolhidas foram: Peso a desmama (PD), Peso ao sobreano (PS) e Perímetro escrotal (PE). Para caracterizar a classificação fenotípica foi escolhida a medida real de Peso ao sobreano das matrizes.

 

Foram utilizados dados genéticos e produtivos de 3127 matrizes, 23 touros doadores de sêmen e 113 touros utilizados para os sistemas de monta natural. Os dados das matrizes utilizadas na simulação estão demonstrados na Tabela 1 a seguir:

Tabela 1: Distribuição dos dados de produção e avaliação genética das matrizes bovinas

Matrizes

Avaliação genética (DEP)

Índice de seleção

Peso ao sobreano kg

PD – kg

PS - kg

PE - cm

Média

3.85

6.21

0.39

0.36

292

Desvio Padrão

2.77

4.95

0.41

0.24

32.65

Mínimo

-6.86

-11.06

-1.43

-0.43

194

Máximo

13.44

27.89

2.02

1.23

393

Onde: DEP, Diferença Esperada na Progênie; PD, Peso a Desmama; PS, Peso ao Sobreano; PE, Perímetro Escrotal.

A Tabela 2 descreve os valores genéticos dos touros selecionados para serem doadores de sêmen nas simulações dos programas de inseminação artificial, transferência de embriões e aspiração folicular / fecundação in vitro.

Tabela 2: Distribuição dos dados de avaliação genética dos Touros utilizados nos programas de Inseminação Artificial, Transferência de Embriões e Aspiração Folicular / Fecundação in vitro

Touros - Sêmen

Avaliação Genética (DEP)

Índice de Seleção

PD - kg

PS - kg

PE - cm

Média

12.40

18.84

0.94

1.08

Desvio Padrão

4.24

5.75

0.94

0.32

Mínimo

5.45

7.65

-1.15

0.25

Máximo

22.67

27.71

3.34

1.60

Onde: DEP, Diferença Esperada na Progênie; PD, Peso a Desmama; PS, Peso ao Sobreano; PE, Perímetro Escrotal

Nas simulações para estação de monta utilizando-se touros em monta natural e no caso dos programas de inseminação artificial que precisam fazer o repasse das vacas com touros a campo, os animais eleitos faziam parte do Sumário de Touros Nelore CFM 2005 (Agro-pecuária CFM 2005).

 

A Tabela 3 a seguir, descreve os valores obtidos com a avaliação genética destes animais.

Tabela 3: Distribuição dos dados de avaliação genética dos touros utilizados nos programas de monta natural e repasse de IA

Touros

Monta Natural

Avaliação Genética (DEP)

Índice de Seleção

PD - kg

PS - kg

PE - cm

Média

10.55

20.49

1.61

1.13

Desvio Padrão

2.85

2.98

0.61

0.17

Mínimo

3.77

11.19

0.34

0.73

Máximo

17.57

27.88

3.46

1.53

Onde: DEP, Diferença Esperada na Progênie; PD, Peso a Desmama; PS, Peso ao Sobreano; PE, Perímetro Escrotal

Para obtenção dos valores dos erros na composição das Diferenças Esperadas nas Progênies (DEP) dos animais, foram utilizados os valores de Desvio Padrão das características conforme descrito na Tabela 4 a seguir:

Tabela 4: Valores dos desvios padrões das características genéticas

Característica Genética

Desvio Padrão

Peso a Desmama (PD)

9.49

Peso ao Sobreano (PS)

13.15

Perímetro Escrotal (PE)

2.21

Foram desenvolvidas 42 simulações para testar os objetivos propostos, sendo que a Tabela 5 apresenta a descrição das simulações e como foram as divisões das mesmas.

Tabela 5: Descrição dos cenários desenvolvidos no trabalho

Acasalamentos

Genótipo x ♂ Genótipo

Fenótipo x ♂ Genótipo

Biotécnica Reprodutiva

Taxa Concepção %

Biotécnica Reprodutiva

Taxa Concepção %

MN

60

MN

60

 

80

 

80

 

90

 

90

IA

55

IA

55

 

65

 

65

 

75

 

75

IA sex

55

IA sex

55

 

65

 

65

 

75

 

75

TE

30

TE

30

 

45

 

45

 

60

 

60

TE sex

30

TE sex

30

 

45

 

45

 

60

 

60

FIV

20

FIV

20

 

30

 

30

 

40

 

40

FIV sex

20

FIV sex

20

 

30

 

30

 

40

 

40

Onde: MN, sistema de monta natural; IA, sistema de inseminação artificial; IA sex, Sistema de Inseminação Artificial com uso de sêmen sexado para machos; TE, sistema de superovulação e transferência de embriões; TE sex, sistema de superovulação e transferência de embriões com uso de sêmen sexado para machos; FIV, sistema de aspiração folicular e fecundação in vitro; FIV sex, sistema de aspiração folicular e fecundação in vitro com uso de sêmen sexado para machos.

Nas simulações de TE e TE sex foram previstos a realização de quatro procedimentos anuais que geraram em média oito embriões por matriz, num total de 992 embriões produzidos.

 

Nas simulações de FIV e FIV sex, foram previstos a realização de 12 procedimentos anuais com a geração de oito embriões por matriz, totalizando 2976 embriões produzidos em cada simulação.

 

O índice de seleção genética utilizado nas simulações é apresentado abaixo:

 

Índice de seleção = 40% DEP PD + 30% DEP PS + 30% DEP PE, onde;

 

DEP PD = Diferença esperada na progênie para peso a desmama, corrigido por seu desvio padrão;

 

DEP PS = Diferença esperada na progênie para peso ao sobreano, corrigido por seu desvio padrão;

 

DEP PE = Diferença esperada na progênie para perímetro escrotal, corrigido por seu desvio padrão.

 

A partir dos dados de DEP dos pais, depois de determinado o acasalamento, as taxas de concepção, o sexo das crias e a geração dos números aleatórios de erro do valor genético das progênies, procede-se o calculo do valor da DEP das crias.

 

A linha de comando utilizada para este cálculo prevê a soma dos valores encontrados para a mãe, o pai e o erro gerado.

 

Com isso utilizou-se uma soma condicionada, trabalhando com dados da Mãe e de Erro na mesma planilha e buscando a informação do Pai em outra, utilizando para isto a função SOMASE do MS Excel 2002®.

 

Para todas as simulações foi padronizado o valor de 20% como pressão de seleção sobre a produção de machos.

 

Uma vez gerado o arquivo de resultados, com a classificação dos animais eleitos como tourinhos, e mantido a linha de dados, com informações que permitiam a identificação das matrizes, foi realizado o estudo vinculando a classe da matriz à respectiva quantidade de touros produzidos.

 

Complementando o estudo, foram realizadas análises econômicas, utilizando dados mercadológicos, para tanto, foram simulados, a partir destes dados, os custos de produção de touros, bois gordos, e de cada biotécnica reprodutiva estudada, além de se simular as possíveis receitas obtidas por cada sistema, considerando um valor fixo de receita por touro comercializado, independente da biotécnica reprodutiva empregada.

 

Com isso, os dados utilizados para a simulação foram: receita unitária com a venda de tourinhos igual a R$6000/cabeça e receita unitária com a venda de boi gordo igual a R$1338/cabeça; custos de produção, sendo R$1134/cabeça de touro pronto para a venda e R$810/cabeça de boi gordo terminado (Anualpec 2011; Rodrigues 2012).

 

Os custos com as biotécnicas, considerando que os valores foram coletados junto ao mercado de Campo Grande, MS, Brasil, foram compostos por: valor da dose do sêmen utilizado,  R$50/dose, adicionalmente nos procedimentos de IA o custo de R$10/procedimento com material de consumo e mão-de-obra; custos com serviço veterinário no sistema de TE igual a R$545/procedimento; custos com aspiração folicular em R$250/procedimento; custo do embrião de FIV em R$85/embrião; e custo da receptora em R$1622/cabeça.

 

Cabe a ressalva de que cada biotécnica calculada foi ponderada em função das eficiências reprodutivas testadas.


Resultados e Discussão

O uso da simulação auxilia no processo de entendimento e tomada de decisão em sistemas complexos (Costa 2004).

 

Por se tratar de 42 cenários de difícil aplicabilidade, principalmente em termos comparativos, mas que em geral parte deles é muito utilizada pelos produtores rurais, acredita-se que o presente trabalho está em conformidade com o que vários autores defendem para o uso de simulação de sistemas, ou seja, a simulação deve ser usada quando da impossibilidade de experimentações em sistemas reais.

 

Outro fator que o trabalho apresenta em conformidade com os conceitos de simulação, diz respeito ao fato de poder estudar esses cenários reais sem modificá-los, com velocidade e baixo custo, considerando que por se tratar de estudos que envolvem o desenvolvimento de animais para reprodução, poderia levar até 5 anos para se ter os dados reais (Baker 1982; Costa 2004).

 

As Tabelas 6, 7, 8 e 9 apresentam os resultados obtidos em relação à estruturação dos rebanhos em cada simulação desenvolvida. Estes apresentam os valores obtidos em relação ao número de cabeças por categoria animal; ao total do rebanho, em cabeças, e em UA; quanto a descrição das atividades em relação à biotécnica reprodutiva utilizada; as taxas de concepção, de pressão de seleção, além das quantidades de machos produzidos e selecionados como tourinhos e os destinados a engorda e abate, divididos em animais que foram obtidos por monta natural e animais obtidos pelo uso da biotécnica reprodutiva.

Tabela 6: Estrutura dos rebanhos obtidos nas simulações onde as matrizes foram classificadas e acasaladas por características genéticas

Categorias

Estrutura dos Rebanhos - Simulações Classificadas por Genótipo (cabeças)

MN

IA

IA sex

TE

TE sex

FIV

FIV sex

B

M

A

B

M

A

B

M

A

B

M

A

B

M

A

B

M

A

B

M

A

Matrizes

3127

3127

3127

3127

3127

3127

3127

3127

3127

3428

3572

3713

3428

3572

3713

3713

4016

4332

3713

4016

4332

Matrizes Top

 

 

 

 

 

 

 

 

 

31

31

31

31

31

31

31

31

31

31

31

31

Matrizes Comum

3127

3127

3127

3127

3127

3127

3127

3127

3127

3096

3096

3096

3096

3096

3096

3096

3096

3096

3096

3096

3096

Procedimentos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

124

124

124

124

124

124

372

372

372

372

372

372

Embriões Produzidos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

992

992

992

992

992

992

2976

2976

2976

2976

2976

2976

Receptoras Prenhez

 

 

 

 

 

 

 

 

 

301

445

586

301

445

586

586

889

1205

586

889

1205

Touros

113

113

113

47

36

26

47

36

26

113

113

113

113

113

113

113

113

113

113

113

113

MN

113

113

113

47

36

26

47

36

26

113

113

113

113

113

113

113

113

113

113

113

113

Biotécnica

 

 

 

23

23

23

23

23

23

23

23

23

23

23

23

23

23

23

23

23

23

Cria

1883

2514

2809

2565

2913

3051

2565

2913

3051

2163

2933

3366

2163

2933

3366

2448

3377

3985

2448

3377

3985

MN

 

2514

2809

833

862

693

833

862

693

1862

2488

2780

1862

2488

2780

1862

2488

2780

1862

2488

2780

Biotécnica

 

 

 

1732

2051

2358

1732

2051

2358

301

445

586

301

445

586

586

889

1205

586

889

1205

Recria

1883

2514

2809

2565

2913

3051

2565

2913

3051

2163

2933

3366

2163

2933

3366

2448

3377

3985

2448

3377

3985

MN

1883

2514

2809

833

862

693

833

862

693

1862

2488

2780

1862

2488

2780

1862

2488

2780

1862

2488

2780

Biotécnica

 

 

 

1732

2051

2358

1732

2051

2358

301

445

586

301

445

586

586

889

1205

586

889

1205

Engorda

751

1006

1122

1025

1163

1217

1650

1902

2071

862

1171

1343

973

1337

1558

980

1348

1591

1190

1674

2028

MN

751

1006

1122

302

305

238

300

289

252

722

1062

1206

791

1049

1161

834

1129

1259

790

1065

1190

Biotécnica

 

 

 

723

858

979

1350

1613

1819

140

109

137

182

288

397

146

219

332

400

609

838

Tourinhos

191

 251

283

258

294

309

412

477

516

220

296

340

244

330

389

244

341

402

298

415

507

MN

191

 251

283

115

126

109

117

142

95

209

182

184

140

195

229

97

115

131

141

179

200

Biotécnica

 

 

 

143

168

200

295

335

421

11

114

156

104

135

160

147

226

271

157

236

307

Rebanho Total - Cab.

7948

9525

10263

9587

10446

10781

10366

11368

11842

8949

11018

12241

9084

11218

12505

9946

12572

14408

10210

12972

14950

Rebanho Total - UA

5827

6800

7257

6799

7323

7525

7543

8205

8537

6527

7844

8638

6655

8033

8889

7219

8925

10145

7471

9305

10662

Pressão de Seleção ♂ %

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

Taxas de Concepção %

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MN

60

80

90

27

28

22

27

28

22

60

80

90

60

80

90

60

80

90

60

80

90

Biotécnica

0

0

0

55

66

75

55

66

75

30

45

59

30

45

59

20

30

40

20

30

40

Total

60

80

90

82

93

98

82

93

98

90

125

149

90

125

149

80

110

130

80

110

130

Onde: MN, monta natural; IA, inseminação artificial; IA sex, inseminação artificial com sêmen sexado para machos; TE, transferência de embriões; TE sex, transferência de embriões com sêmen sexado para machos; FIV, fecundação in vitro; FIV sex, fecundação in vitro com sêmen sexado para machos; B, nível baixo de taxa de concepção; M, nível médio de taxa de concepção; A, nível alto de taxa de concepção.


Tabela 7: Estrutura dos rebanhos obtidos nas simulações onde as matrizes foram classificadas e acasaladas por características fenotípicas

Categorias

Estrutura dos Rebanhos - Simulações Classificadas por Fenótipo (cabeças)

MN

IA

IA sex

TE

TE sex

FIV

FIV sex

B

M

A

B

M

A

B

M

A

B

M

A

B

M

A

B

M

A

B

M

A

Matrizes

3127

3127

3127

3127

3127

3127

3127

3127

3127

3428

3572

3713

3428

3572

3713

3713

4016

4332

3713

4016

4332

Matrizes Top

 

 

 

 

 

 

 

 

 

31

31

31

31

31

31

31

31

31

31

31

31

Matrizes Comum

3127

3127

3127

3127

3127

3127

3127

3127

3127

3096

3096

3096

3096

3096

3096

3096

3096

3096

3096

3096

3096

Procedimentos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

124

124

124

124

124

124

372

372

372

372

372

372

Embriões Produzidos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

992

992

992

992

992

992

2976

2976

2976

2976

2976

2976

Receptoras Prenhez

 

 

 

 

 

 

 

 

 

301

445

586

301

445

586

586

889

1205

586

889

1205

Touros

113

113

113

47

36

26

47

36

26

113

113

113

113

113

113

113

113

113

113

113

113

MN

113

113

113

47

36

26

47

36

26

113

113

113

113

113

113

113

113

113

113

113

113

Biotécnica

 

 

 

23

23

23

23

23

23

23

23

23

23

23

23

23

23

23

23

23

23

Cria

1883

2514

2809

2565

2913

3051

2565

2913

3051

2163

2933

3366

2163

2933

3366

2448

3377

3985

2448

3377

3985

MN

1883

2514

2809

833

862

693

833

862

693

1862

2488

2780

1862

2488

2780

1862

2488

2780

1862

2488

2780

Biotécnica

 

 

 

1732

2051

2358

1732

2051

2358

301

445

586

301

445

586

586

889

1205

586

889

1205

Recria

1883

2514

2809

2565

2913

3051

2565

2913

3051

2163

2933

3366

2163

2933

3366

2448

3377

3985

2448

3377

3985

MN

1883

2514

2809

833

862

693

833

862

693

1862

2488

2780

1862

2488

2780

1862

2488

2780

1862

2488

2780

Biotécnica

 

 

 

1732

2051

2358

1732

2051

2358

301

445

586

301

445

586

586

889

1205

586

889

1205

Engorda

751

1006

1122

1025

1163

1217

1650

1902

2071

862

1171

1343

973

1337

1558

980

1348

1591

1190

1674

2028

MN

751

1006

1122

306

304

237

306

311

249

713

1026

1154

752

1010

1117

786

1055

1162

757

1016

1123

Biotécnica

 

 

 

719

859

980

1344

1591

1822

149

145

189

221

327

441

194

293

429

433

658

905

Tourinhos

191

251

283

258

294

309

412

477

516

220

296

340

244

330

389

244

341

402

298

415

507

MN

191

251

283

111

127

110

111

120

98

218

218

236

179

234

273

145

189

228

174

228

267

Biotécnica

 

 

 

147

167

199

301

357

418

2

78

104

65

96

116

99

152

174

124

187

240

Rebanho Total - Cab.

7948

9525

10263

9587

10446

10781

10366

11368

11842

8949

11018

12241

9084

11218

12505

9946

12572

14408

10210

12972

14950

Rebanho Total - UA

5827

6800

7257

6799

7323

7525

7543

8205

8537

6527

7844

8638

6655

8033

8889

7219

8925

10145

7471

9305

10662

Pressão de Seleção ♂ %

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

20

Taxas de Concepção %

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MN

60

80

90

27

28

22

27

28

22

60

80

90

60

80

90

60

80

90

60

80

90

Biotécnica

0

0

0

55

66

75

55

66

75

30

45

59

30

45

59

20

30

40

20

30

40

Total

60

80

90

82

93

98

82

93

98

90

125

149

90

125

149

80

110

130

80

110

130

Onde: MN, monta natural; IA, inseminação artificial; IA sex, inseminação artificial com sêmen sexado para machos; TE, transferência de embriões; TE sex, transferência de embriões com sêmen sexado para machos; FIV, fecundação in vitro; FIV sex, fecundação in vitro com sêmen sexado para machos; B, nível baixo de taxa de concepção; M, nível médio de taxa de concepção; A, nível alto de taxa de concepção.

 A Tabela 6 apresenta a estruturação dos rebanhos obtidos quando as matrizes foram classificadas e acasaladas por genótipo, diferenciando-se da Tabela 7 que apresenta a estruturação dos rebanhos obtidos com o acasalamento e classificação das matrizes por fenótipo.

 

A principal alteração que ocorre em todas as simulações diz respeito à produção de machos e a influência que o sistema de acasalamento teve sobre os resultados na aplicação das biotécnicas reprodutivas.

 

Ao se analisar a produção total de tourinhos nas simulações com o uso de acasalamento genético, se observa que foram produzidos 7017 tourinhos, sendo que 3431 por sistema reprodutivo de monta natural, e 3586 pelo uso das biotécnicas reprodutivas estudadas.

 

As simulações que utilizaram o acasalamento fenotípico também produziram 7017 tourinhos, uma vez que os cenários tinham as mesmas premissas. Contudo a estratificação dessa produção aponta para uma diferença crucial, quando comparada às simulações genéticas. Deste total foram produzidos 3991 animais obtidos pelo uso do sistema de reprodução por monta natural e 3026 com o uso das biotécnicas reprodutivas.

 

O acasalamento genético correspondeu a uma melhor eficiência no uso das biotécnicas reprodutivas, na ordem de 19% a mais de produção de tourinhos, e na redução de 14% na participação da monta natural como geradora de reprodutores.

 

O principal impacto das taxas de concepção ocorreram sobre o uso de biotécnicas reprodutivas como TE, TE sex, FIV e FIV sex, principalmente diminuindo a quantidade produzida de tourinhos nas simulações fenotípicas.

Tabela 8: Distribuição da produção de tourinhos por classe de matrizes, nas simulações que utilizaram acasalamentos genotípicos

Classe de Matrizes

Reprodução

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

Total

MN G 1

43

31

27

30

16

18

11

10

5

0

191

MN G 2

59

48

41

26

26

23

16

5

6

1

251

MN G 3

69

53

45

30

23

21

25

11

3

3

283

IA G 1

54

46

36

30

27

22

13

18

7

5

258

IA G 2

56

49

49

27

32

23

18

23

16

1

294

IA G 3

73

56

39

43

28

19

24

16

7

4

309

IA sex G 1

73

44

55

43

40

48

37

25

28

19

412

IA sex G 2

75

64

62

51

44

35

39

42

40

25

477

IA sex G 3

75

71

58

65

53

48

44

46

35

21

516

TE G 1

51

27

23

22

20

18

19

19

12

9

220

TE G 2

164

41

25

22

15

8

11

6

3

1

296

TE G 3

210

38

27

20

24

9

3

5

4

0

340

TE sex G 1

133

22

14

18

15

11

7

10

7

7

244

TE sex G 2

165

25

18

28

27

21

14

13

10

9

330

TE sex G 3

194

29

28

29

25

21

16

16

13

18

389

FIV G 1

179

21

13

10

9

4

5

2

1

0

244

FIV G 2

260

27

15

16

9

6

3

3

1

1

341

FIV G 3

315

25

24

13

11

11

1

2

0

0

402

FIV sex G 1

180

21

13

18

13

15

11

10

13

4

298

FIV sex G 2

265

25

28

20

15

12

18

9

13

10

415

FIV sex G 3

331

31

22

21

23

18

18

16

12

15

507

Onde: MN, monta natural; IA, inseminação artificial; IA sex, inseminação artificial com sêmen sexado para machos; TE, transferência de embriões; TE sex, transferência de embriões com semen sexado para machos; FIV, fecundação in vitro; FIV sex, fecundação in vitro com sêmen sexado para machos; G, acasalamento por genótipo; F, acasalamento por fenótipo; 1, nível baixo de taxa de concepção; 2, nível médio de taxa de concepção; 3, nível alto de taxa de concepção.


Tabela 9: Distribuição da produção de tourinhos por classe de matrizes, nas simulações que utilizaram acasalamentos fenotípicos

Classe de Matrizes

Reprodução

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

Total

MN F 1

33

24

25

21

20

14

13

13

13

15

191

MN F 2

40

34

33

26

25

23

20

17

20

13

251

MN F 3

48

36

31

28

31

20

23

26

26

14

283

IA F 1

34

36

30

27

28

27

24

22

15

15

258

IA F 2

41

40

37

30

31

26

21

31

22

15

294

IA F 3

51

41

29

40

33

22

26

28

23

16

309

IA sex F 1

55

35

49

45

35

47

40

34

36

36

412

IA sex F 2

53

56

59

45

47

37

41

53

49

37

477

IA sex F 3

57

60

50

63

62

50

47

46

45

36

516

TE F 1

32

25

23

20

26

18

21

21

16

18

220

TE F 2

110

31

22

25

24

18

24

18

16

8

296

TE F 3

145

32

23

23

26

17

18

27

18

11

340

TE sex F 1

88

21

19

18

20

14

17

19

15

13

244

TE sex F 2

120

26

20

31

27

28

22

19

17

20

330

TE sex F 3

144

29

36

34

28

26

21

22

17

32

389

FIV F 1

126

20

17

17

18

11

11

10

8

6

244

FIV F 2

175

26

20

23

19

17

23

19

9

10

341

FIV F 3

213

27

27

28

29

19

15

14

14

16

402

FIV sex F 1

141

17

14

17

23

19

17

16

22

12

298

FIV sex F 2

212

24

35

26

23

21

20

15

19

20

415

FIV sex F 3

259

36

34

28

28

25

25

26

20

26

507

Onde: MN, monta natural; IA, inseminação artificial; IA sex, inseminação artificial com sêmen sexado para machos; TE, transferência de embriões; TE sex, transferência de embriões com semen sexado para machos; FIV, fecundação in vitro; FIV sex, fecundação in vitro com sêmen sexado para machos; G, acasalamento por genótipo; F, acasalamento por fenótipo; 1, nível baixo de taxa de concepção; 2, nível médio de taxa de concepção; 3, nível alto de taxa de concepção.

As simulações genéticas apresentaram melhor eficiência no uso das matrizes classificadas como Classe 1, pois em todas as simulações, quando comparadas às simulações fenotípicas, a uma maior participação desta classe de matrizes na produção de tourinhos.

 

Confirmando assim que há influência direta do tipo de acasalamento sobre o impacto da produção de tourinhos pelas matrizes classificadas conforme seu desempenho genético ou fenotípico.

Figura 1: Comparação da eficiência de produção de tourinhos entre as duas técnicas testadas para cada classe de matriz avaliada nos respectivos acasalamentos estudados

A Figura 1 apresenta a comparação final sobre a eficiência na produção de tourinhos sob o impacto do sistema de acasalamento.

 

Como podem ser observadas, as simulações que utilizaram o sistema de acasalamento genético foram mais eficientes no uso das matrizes quando comparadas às simulações que utilizaram o acasalamento por fenótipo. Os valores percentuais oscilaram de 25% a 59% mais eficientes para os acasalamentos genotípicos em relação aos fenotípicos no tocante a produção das matrizes Classe 1.

 

Os resultados encontrados corroboram com estudos acadêmicos que enfatizam a importância de programas e projetos de acasalamentos dirigidos para produtores de tourinhos (Mattos et al 2000).

 

Estudo similar corrobora com os resultados encontrados, uma vez que utilizou um programa de acasalamento dirigido e de simulação de dados, para avaliar e comparar estratégias alternativas de acasalamento para aumentar a probabilidade de produzir animais superiores e reduzir a variabilidade da progênie em bovinos, concluindo que algumas estratégias alternativas de acasalamentos associativos positivos apresentam probabilidades de produção de animais superiores maiores e reduzem a probabilidade de produção de animais inferiores (Neves et al 2009a).

 

Além disto, o uso de simulações apresenta características benéficas para uma adequada análise em programas de reprodução, como no caso do trabalho apresentado por Beltrame et al (2007), que evidenciam a aplicação da simulação como uma ferramenta eficiente na identificação da razão receptora / doadora em programas de transferência de embriões em bovinos.

 

Contudo algumas ressalvas devem ser feitas em relação ao uso de sistemas de acasalamento e uso de biotécnicas reprodutivas.

 

Conforme alertado por diversos autores e trabalhos, o uso de sistemas de acasalamento pode aumentar a ocorrência de endogamia no rebanho e diminuir a variabilidade genética, em termos de redução do número de pais nas futuras gerações, se não forem realizados estudos a cada nova geração trabalhada (Euclides Filho 1999; Cunha et al 2003; Nicholas 1996; Slanger and Anbil 1987; Dekkers 1992).

 

Analisando os dados se pode verificar dois grandes aumentos na produção de tourinhos, o primeiro com o uso da IA sex, onde através do uso de sêmen sexado atrelado a altas taxas de concepção, a produção de machos é aumentada significativamente, tornando-se a simulação com a maior produção de tourinhos de todas.

 

Tal resultado corrobora sobre o potencial do uso da inseminação artificial para melhorar o desempenho produtivo do rebanho, mediante a utilização do sêmen de reprodutores de alto potencial genético, acrescido do potencial da sexagem de sêmen para produtores de tourinhos (Valle et al 1998).

 

Outro estudo, que apresentou resultados semelhantes, utilizou simulações estocásticas para averiguar as consequências do uso combinado de acasalamento dirigido e sêmen sexado em bovinos de corte, concluindo que tal uso combinado de acasalamento associativo positivo e sêmen sexado aumentou a produção de animais geneticamente superiores (Neves et al 2009b).

 

O segundo grande aumento na produção de tourinhos ocorre com o uso das biotécnicas reprodutivas TE, TE sex, FIV e FIV sex, atreladas a boas taxas de concepção, e principalmente com o aumento da participação da Classe 1 de matrizes na produção de tourinhos.

 

Estes resultados acompanham o comportamento no ganho genético descrito por Lohuis (1995) que atestou ganhos genéticos de 8 a 9,5% para simulações que utilizaram TE e de 22% para as que utilizaram FIV, quando comparadas com o sistema tradicional.

 

Valores expressivos para ganhos genéticos também foram observados por Gearheart et al (1989), em simulações que utilizaram a biotécnica reprodutiva TE em programas de seleção genética.

 

O presente estudo concorda com a afirmação de Dekkers (1992) que para minimizar os riscos em relação a um possível aumento na endogamia do rebanho, que se utilizam das biotécnicas reprodutivas, se faça uso de um maior número possível de touros acasalados com matrizes para a produção de tourinhos comerciais, uma vez comprovada a participação destes animais na geração dos futuros pais.

 

Os resultados econômicos simulados são demonstrados na Tabela 10 e na Figura 2 a seguir. Os resultados estão divididos conforme a classe de animal produzido, Bois Gordos e Tourinhos, justamente para se evidenciar o alto custo de se aplicar uma determinada biotécnica reprodutiva sobre um sistema de acasalamento genético equivocado.

 

Ao se analisar os resultados apresentados verifica-se que o sistema que se baseou no acasalamento fenotípico apresenta pior eficiência econômica, uma vez que se gasta mais produzindo animais para abate oriundos das biotécnicas, e que tal situação se agrava conforme com o uso da TE, TE sex, FIV e FIV sex.

 

A termo de exemplificação, os dois últimos cenários testados para FIV sex, apresentam uma diferença de R$198204 a mais no custo de produção de bovinos para abate oriundos da biotécnica em um sistema de acasalamento fenotípico. Contudo, por se tratar de uma biotécnica cara, o sistema que potencializa o uso da genética apresenta um maior custo de produção de seus tourinhos, onde para o mesmo exemplo o sistema de acasalamento genotípico custa R$219917 a mais do que seu oponente. Contudo cabe a ressalva que neste caso trata-se do objetivo do sistema proposto, fato que não inviabiliza seu uso.

 

O alto custo de produção associado a tais biotécnicas reprodutivas, como as específicas que utilizam a Transferência de Embriões, já foram evidenciadas em outros trabalhos, como os de Barioni et al (2007) e Beltrame et al (2010), ambos demostrando o alto custo da biotécnica. Contudo cabe a ressalva de que atualmente o principal componente de custo nas biotécnicas TE e FIV, salvo algumas exceções, é justamente a receptora, e que neste caso o produtor rural que conseguir produzir seu próprio plantel de receptoras, ganhará em eficiência econômica em detrimento daquele que fica refém das leis deste mercado.

 

Uma última observação se constata na Figura 2 ao se analisar a margem bruta por categoria animal e as grandes perdas econômicas em relação a possíveis erros no uso das biotécnicas e do acasalamento fenotípico, evidenciando ainda mais que os produtores devem estar atentos para se evitar perdas econômicas em maior escala

Tabela 10: Demonstrativo de Resultado Econômico (R$) de cada simulação testada

Simulações

Receitas R$

Custo Operacional Efetivo R$

Lucro Bruto R$

Margem Bruta %

Boi Gordo

Touros

Total

Boi Gordo

Touro

COE

MN

BT

MN

BT

MNG1

1004282

1146000

2150282

608018

 

216634

 

824652

1325630

62

MNF1

1004282

1146000

2150282

608018

 

216634

 

824652

1325630

62

MNG2

1346179

1506000

2852179

815011

 

284687

 

1099698

1752481

61

MNF2

1346179

1506000

2852179

815011

 

284687

 

1099698

1752481

61

MNG3

1500735

1698000

3198735

908583

 

320981

 

1229565

1969171

62

MNF3

1500735

1698000

3198735

908583

 

320981

 

1229565

1969171

62

IAG1

1370935

1548000

2918935

244260

711935

130434

187152

1273781

1645153

56

IAF1

1370935

1548000

2918935

247501

707996

125897

192387

1273781

1645153

56

IAG2

1555599

1764000

3319599

247096

823988

142910

215877

1429871

1889728

57

IAF2

1555599

1764000

3319599

246286

824949